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8 de outubro de 2009

Breus seus cabelos eram,
seus celestes olhos não mentiam.
Era uma tal flor rara
nesta selva descontrolada.
E eu lamento imenso
este sentimento intenso
que acabou por matá-la.
E agora esta montruosa saudade
Inflama e queima meu peito
por aquela doce raridade
assassinada assim, sem pejo
e num suspiro, o último beijo
lançado ao ar, caído no mar,
mas nunca em meus lábios.


17 de agosto de 2009

Perfume de Laranjeira

Vem comigo e senta-te nesta folha.
Cheira. Não é suave o perfume da laranjeira?
As estrelas caem na tua fronte e tudo é mais belo, até os teus olhos sem luz.

Vem comigo, e olha!...
O jogo acabou e é tão triste o recreio vazio.
E tu és tão altiva com a tua coroa brilhante
E o teu perfume de laranjeira.

Por favor espera um pouco.
Estou a chorar, vês?
Não são lindas estas lágrimas, como a tua coroa?
És bela e eu amo-te. Mas não me leves contigo.

O recreio é triste e eu quero ser triste com ele
E ver o céu e o Tempo nos teus olhos
Enquanto comes o Sol e espalhas a tua fragrância
De laranjeira pelo mundo.
És bela e eu ainda quero brincar.

8 de julho de 2009

Dai-me uma laranja tingida de céu
Com sumo branco como espuma do mar
Levá-la-ei ao ventre da terra para a assar
E ta oferecerei envenenada pelo luar.

E quando receber uma coroa de papel
Elevar-me-ei aos céus e sentar-me-ei na lua
Apanharei as estrelas cadentes da cor do arco-da-velha
Para as comer e brilhar de muitas cores:
Aurora boreal amestrada, banhando o mundo.


© of Carla Ramos

Porque te esqueceste do amor
Que ouvias nas minhas lágrimas
E vias nas minhas palavras?

Viajo à lua e lá me deixo a pairar
Vendo as estrelas pelo caminho
E o negro fundo do mar
Procurando no abismo o sentido
De te continuar a amar.

Sonho em silêncio dentro de mim
Os teus lábios expulsando doces sussurros
Sem compreender que o que vejo se chama fim
Uma cruel ilusão de inesistentes futuros.

Oiço ainda o amor murchar
E sinto o meu peito a definhar
Como uma rosa abandonada no Inverno
À mercê dum carcere eterno.

© of Carla Ramos

Sem Título

Sei de céus verdes de inveja,
De planícies brancas como folha de papel
E de gestos tingidos de sangue
Com gargantas roucas de escuriddão e brilho.

Sei dos teus dedos de pianista; que com eles
Tocas o céu, o mar e o segredo.
Conheço as palavras que voam dos teus lábios,
Se entrançam na tua noite e afagam
As estrelas caídas pelas planícies.

E eu sei de tudo isto,
sentada na minha lua de faz-de-conta
brincando com areia de prata
e no joelho uma coroa de lata.

© of Carla Ramos

2 de julho de 2009

Crenças

Como já algumas pessoas me perguntaram em que é que acredito e eu sou muito preguiçosa para estar sempre a escrever/dizer deixo este post aqui e depois basta-me dizer para irem visitar este blog.

Então, minha gente, passo a explicar:

Não acredito em nenhuma divindade, seja o deus católico ou deuses pagãos, não acredito em anjos ou demónios. Simplesmente porque não tenho nenhuma prova concreta que me faça acreditar.
Então aqui está a dualidade deste tema: também não tenho provas de que não existam. Pois.
Fico então numa área cinzenta. Não acredito na existência de deuses, mas acredito que talvez existam, não descarto e rejeito completamente essa hipótese, podendo então afirmar que sou agnóstica.


O que, para quem ainda tem dúvidas, significa e comprova que não sou Satânica.
No Satanismo nega-se completa e veemente a existência de divindades coisa que eu não faço. Ora aí está.

Mais. Crucifixos que eu possa usar ou outras imagens e iconografias relacionadas com religiões é apenas por motivos estéticos. Não acredito no seu significado ou no que representam.
Tenho curiosidade e procuro saber sempre o minímo sobre várias religiões a fim de saciar a minha sede de conhecimento e também saber o que digo durante discussões/conversas. (Fazer figura de parva não está nos meus planos).

E creio que é tudo.

A minha voz esvai-se como a cor do vento
Por entre os dedos para um mundo de silêncio intocável
E de céu de prata.

Sabes criar risos com lágrimas falsas?

Comédia e tragédia estão demasiado perto
e cai na solidão o dia brando daquele passado desconhecido
esvoaçante como os teus cabelos.

O teu corpo é uma duna, mutável e seca,
Perdido o rio de flores que cantaste para a Primavera.

Deste-me o teu sopro de fogo e a tua vontade.
E eu quedei num espaço vazio demasiadamente perto de ti:
Noite fria e opaca, voo de pássaro num qualquer fim.

Ao longe estão a cair notas musicais com cheiro a sangue, morangos, a ti e a mim
E o seu perfume afunda-se no mar celeste e profundo:
Abismo insondável de mistério.

O vento é brisa que afaga os meus membros
Sussurrando os seus segredos no seu caminho
De peso em busca do limite da imaginação.
Ganha cor, peso e forma, ganhando ao silêncio o seu lugar
Nas almas da treva e no teu corpo de feiticeira.

Ergues-te, ensandecida, farta da tua pele de areia
E sacodes o manto da sonolência que te envolvia; caminhas então, para o futuro
Que vês mas não desejas e chamas um nome
Que não pode ser dito porque já foi esquecido: pecado, fatalidade,
Desgraça, saudade.

E juntas a tua voz à minha, transformando as palavras em pétalas dançando por este mundo,
Sem sítio onde pousar nem lábios para beijar.


© of Carla Ramos

Love

Being able to dream is most forgivable
For it is only in dreams where we now meet
Although our encounters have so much sorrow
Love, at rest and silent, belongs to our hearts.

When we meet under dark skies and crimson clouds
The many kisses that we exchange fly on their own
To here, everywhere, but never to their destinies:
They’re forever sealed.

In our eyes there’s still the same Passion of old
Still enduring secret desires to extinguish it.
But non the less we have tears in our faces
and Despair lives in our mortal souls.

Foolishly maybe, but yet so passionately
We fight our way to everlasting love
So we can walk again, hand by hand
Forever deeply trapped in blue illusion.

But, oh! Why did Death placed Her gaze upon us?
Why did She saw you, only you, and no one else?
She came with ebon wings and foul creatures followed
To take you cruelessly from my affectionate side.

My Beloved lights washed away in Her Night
Leaving my eyes sightless and my soul crushing
While I hear a pitiless laughter rising from nowhere
and receive snow-like kisses: soft, cold and cruel.

But who’s to blame in this tragic tale?
A Beast that fell in love with Love, or
A Loves beauty that seduces the Beast?
…I’m the one crying alone in a dim mortality…

Losing the destiny of our Passion attracts the Agony
Of living without wanting to, of breathing the fires of Pain.
My Love, can you feel me going down in the depths
Of Sorrow like only a creature of mortal birth can go?

With my arms riddled with scars and open wounds
Not wanting to lose some little, resistant, Hope
I keep searching in my mysterious humanity
For the beauty of my never-ending Love.

Holding tight to piercing memories
Death took away all that was dear
And left me bleeding in the Night
Of my worthless soul buried in Ache.

I just wish for a kiss from my Love
A venomous kiss that would revive me
With fiery and fearsome pain from
This lonelisome, mortal apathy.

But where’s my Love now, wrapped
In some deadly desire in dark lands,
Surrounded by dark necrophilic lusts
Lying in silk veils of Death’s slaves?

I love my undying Love and I love His tears
I just don’t love when He lives in His fears.
My Darling, I’m completely torn apart
devoided of the Beauty of our love.
Eternally yearning for the scarlet kisses
Of my Loves scarlet, passionate lips
Searching, calling for something more in vain
I die a thousand times with my pain.

Shining bright showing His vanity
In the sinister side of the moon
My Love sings my lullaby song
In whispers of love born yesterday.

Forever ensnared in dark Eternity
We are separated by Imortality
Crying for the mysterious mist
Of lovers embraces and final caresses.

Divided until the day Eternity and Mortality
Encounter each other again in the End
When Life and Death returns to Nothing
And the Night wraps this world in the Void.

You were the only one I could ever love
And the only one I wanted to say that I love
But the simple word “Love” itself
Already died and went away with you.


© of Carla Ramos

17 Invernos

17 Invernos
Frios, escuros
Desesperos eternos
E desejos obscuros.

17 Invernos
De triste solidão
Terríficos medos
No meu coração.

Aguentei 17 Invernos
Sem qualquer amor
Cheia com sentimentos velhos
E negra dor.

Agora vejo um fim
Aliviantes abismos
Só para mim
17 anos volvidos.


© of Carla Ramos

16 de junho de 2009

Dei uma cereja rubra à mão do céu
E a sua boca abriu-se e engoliu o mar
Então a cereja caiu no deserto
E brotou do chão uma fonte de sangue.

A árvore cantou uma muher feia
E a mulher feia chorou a árvore a arder;
Nasceu das suas raízes as sombras do corpo da criança
E os seus olhos reflectiram o mar.

Uma águia veio e à água foi caçar
Levou um peixe branco nas garras
E pintou o bico de sangue nos olhos do mar.


© of Carla Ramos

Rosas brancas vão manchar de vermelho
A pretidão da neve sobre as suas coroas
De latão enferrujado e seixos do fundo do céu:
Rosas pálidas de raízes ensanguentadas
Do sangue dos pássaros comidos pela terra.

A lua escurece a luz do seu dia e murcha
As rosas negras que adornam a neve rubra e pastosa
Exaurida de coroas de oiro entrançado do cabelo
De virgens saudosas de sonhar o sonho do mar.

Mar de aranhas cor de arco-íris tecendo
Mantos de pérolas e prata choradas da lua;
Ah! Uma deusa semi-nua, meio mulher, meio nada
Feita de fumo e sombra e lata!

Coisa sem valor, de renda preta e meias de ligas
Veste o intrior da cabeça e bebe a noite
Num cálice de vómito das entranhas da montanha:
Olhos de céu sem noite e fogo de paixão.

Mulher-corvo, de asas pintadas de velhice
No sono tenebroso das lânguidas árvores
Que gemem folhas laranjas de sol.
Mulher-corvo que olhas rosas brancas
Descoroadas de latão num jardim de neve vermelha
E seixos do fundo do céu.

A pretidão da neve sobre as coroas
De latão enferrujado e seixos do abismo do céu
De rosas brancas caídos manchando de vermelho aquela pretidão.
Comidos pela terra pássaros embebedam raízes
De pálidas rosas com o seu sangue.

Mulher endeusada, meio tudo, meio nada!

Choras no voo da folha e da pétala o vinho tinto do Douro
Do ouro das tuas veias! Dos teus olhos! Dos teus lábios!
Mulher-menina rainha de flores sangrentas, chorosa desencantas
Para as coroas e tiaras caídas no teu nada sombrio e cintilante!
Teu jardim podre de escuridão. Tempo sem tempo, que tudo arrasa
Destrói e mata!

Mulher endeusada! Tu és tudo, és tudo, tudo! E nunca foste nada!
Vazio! Cheio de nada...


© of Carla Ramos

Vida

Tenho medo de não fazer
Ou então de fazer mal.
Tenho medo de viver
Sem viver a vida.
Morrer mesmo antes de nascer
Partir antes de chegar.
Tenho medo de não viver
E sofrer no final.
Temo que o tempo não chegue
Para viver tudo o que vida tem.
Temo não sair da escuridão
Que o meu coração mantém.
Tanto medo que eu tenho
Nem me deixa viver
A minha vida é uma merda
O melhor é morrer


© of Carla Ramos

Sou um espirito de cabelos negros
Que o luar decora suavemente
Calo tudo o que o meu coração sente
E escondo os meus pensamentos
No quase negrume desta noite fria
Em que recordo tudo o que antes havia
Fora de meu corpo imaterial
E que se deixou cair no mal
Cantado pelas trevas fugidias
Que passeavam por esta floresta
E tornavam meus alegres dias
Num lenta e assustadora festa
De definhadas flores voando sozinhas;

Brancas soltavam a primeira pétala
E já negras mostravam seu coração
Morto, e com a alma emurchecida
Mesclavam-se com a escuridão
Que inda nos abraça, cinge nos seus dedos
De sombras frias tão vivas como minha mente
E de longe mais fortes que meus medos
Onde me mostra tudo aquilo que sente.

Cobri uma vez o meu céu nocturno
Com um tesouro de lágrimas brilhantes:
Pequenas pérolas e pequenos diamantes
Para embelezar aquele monótono mundo
Onde imaginava ilusões e pintava sonhos
Que bailavam nos meus olhos de cristal
E tentavam meus lábios imaculados.
Sonhos que me mostram debilmente o real
No agora violento desta dança
No baile de rosas e orquídeas finadas
Levadas pelo vento da esperança
Que depois as abandonou osculadas;

Tinha desejos de amantes em meus olhos disfarçados
Aqueles que encontrei à noite num baile secreto
Quando nós dois, pela primeira vez dançámos
E com sorrisos tímidos meu coração deixei aberto
Para que lá dentro olhasses e bem no fundo
Visses o amor que tinha do tamanho do mundo...
Amor que arrebataste com um sorriso egoísta e cruel
Depois de me beijares com teus lábios amargos de fel.
Aparição me tornei depois de teu veneno beber
E ainda agora meu peito com amor sinto a ferver
Pela tua miserável existência, mas agora protegido,
Fechado entre os mantos de escuridão do meu jazigo.
Há muito que deixei de contar os eternos segundos
Desde que tantos sentimentos foram desmoronados:
Um castelo de areia repetidamente pelo mar beijado
Por lábios como aqueles que me haviam magoado.

A lua brinca com a sua luz na minha pele
Solidária com a minha dor e meu canto
Que se transformou em silencioso pranto
Pois já não possui a doçura do mel;
As sombras dançam à minha volta, sem dono
E evocam os ecos dos meus suspiros
De magoados sentimentos não declarados
Ansiosos por receberem a dádiva do sono
Sem sonhos. Afundar num mar de negrume
Taciturno onde se banha a Morte
E encher o cemitério com o perfume
Do meu corpo finalmente torpe.


© of Carla Ramos

Quem são aquelas raparigas
Que por ali vão tristes e agrilhoadas?
Palmilham descalças aquele chão frio
E vão silenciosas e cabisbaixas.

Brilham lágrimas nas suas faces
A única coisa que cintila entre elas;
Tudo o resto é roubado pela melancolia
Do sítio onde passam e das suas almas.

Vão vestidas de negro e sem adornos
Qual cortejo fúnebre de damas esquecidas
Mas quem parece olvidado são aquelas
Belas e jovens, aquelas doze amigas.

As sombras dançam e cantam à volta delas
Sobre mágoas antigas de tempos áureos
E suspiros de amores nunca declarados;
Para sempre adormecidos, para sempre calados.

Vão elas calmas e senhoras de si
Embora enfrentem visões de morte.
Vão com a música dos seus Fados
E cada uma com seu beijo de solidão.

O silêncio que todas têm que carregar
Inflama-lhes o peito e queima-lhes o coração.
Aquelas doze raparigas vão com a dor
Para tão perto - quase dentro - da escuridão...

As pérolas que rolam por suas faces,
Únicas no seu doloroso Destino
Espelham os seus desejos escondidos
E os seus sonhos de donzela destruídos.

São princesas apenas na noite
Porque só na noite as deixam ser
Damas de companhia da Morte
Até chegar o novo amanhecer.

Cantam para as almas que vagueiam
Cegas e desprendidas por todo o lado
No jardim de flores já definhadas
Ao som de uma canção de tormento.

Deixam cair pétalas para o chão
E lançam perfumes inebriantes
Que se mesclam com os sonhos
Que elas todas as noites sonham.

O para sempre encantado acabou
Quando as princesas adormeceram
Para em vida não mais acordarem...
......Para não mais morrerem......


© of Carla Ramos

Quimeras

Numa casa de espelhos
Perdida nos seus reflexos
Fantasia, não realidade.
Pisando os estilhaços
De sonhos destruídos
E esperanças quebradas.
Mostrando-se a um mundo
De mentira e falsidade.
Posando para um retrato
De uma realidade desfocada.
Vazia, enganada
Com ilusórias palavras.
Quimeras do mundo.
Nua sobre o olhar atento
Crueldade sobre a pureza
Da frágil verdade.


© of Carla Ramos

Passeiam na minha alma, como num jardim.
O desespero tenta convencer o amor
Mas tudo o que consegue fazer em mim
É caminhar junto a ele, e falar de dor.

Caminha orgulhoso da solidão que coagiu
E o amor, alado, imaterial, caminha mudo;
Não se distrai ao relembrar aquilo que partiu
E evita... luta. Para não cair no fundo.

Caminham juntos como velhos amigos,
Lado a lado, corteses e disciplinados.
Continuam em sentido ao meu coração:
Um grande vazio cheio de escuridão.

Passam o sítio onde a esperança um dia habitou,
Até que foi levada quando um Fado cruel soprou
A sua casa de lembranças deixada então a morrer
E a afastou para lá de um esplendoroso amanhecer.

Passam ainda um templo onde já houve Fé
E agora é uma casa de ateus e agnósticos
Corajosos e valorosos lutam contra a maré
À sombra de imponentes e belos pórticos.

Vão orgulhosos de algo que os faz sofrer
E tão dorido é que mal conseguem respirar;
E uma mão esmagadora os faz perder
Algo ainda mais precioso que o próprio ar.

Passeiam tão alheados ao caminho que tomam
Acabam assim por ficar perdidos num labirinto
De onde não conseguem sair mesmo que movam
O que lhes tolda a passagem: um só sentimento.

Cessam as suas infrutíferas tentativas de libertação
E ficam a olhar o que permanece deitado no chão:
Um único sentimento ali esfarrapado e abandonado
Com aspecto sombrio, triste e algo mal amado...

Quedam-se os três a divisar nos seis olhos
Vários desejos encobertos e vários sonhos
E percebem que o que os une é algo forte
Mas, para bem ou mal, não venceu a Morte.

Assim se deixam estar, imóveis com o achado
E buscam nos recônditos das mentes lembranças
De alguém, algum ente há já algum tempo finado
Um alguém que fez brotar inúmeras lágrimas.

Seus olhos enchem-se então de complacência
Sentidos por tudo o que fizeram e sentiram
Sob um azul céu e sentem ora uma dormência
Dádiva do sentido agonizado no solo: a Paixão.

Nameless Truth

Num caminho invisível envolto em escuridão
E acompanhado por advenas, gélidas brumas
A verdade que voa sozinha, cega e sem paixão
Deixa cair um rasto frágil de luz e lágrimas.

A verdade que invoca lágrimas de meus olhos
A verdade que voa indiferente ao meu coração
A tua maldita verdade, cruel e hedionda,
Que nunca me pertençe.
(Verdadeiramente sem me pertençer)

Declarações de amor não trazem felicidade,
Apenas dor. Não me tocam por dentro.
Porque já não sonho nem acredito
Nas palavras gritadas num silêncio moribundo.

Já não acredito na verdade que me disseste
Num longínquo Inverno por mim imaginado.
Não posso ser una contigo nem com ninguém
A tua verdade sem nome nunca me pertenceu...

Nem mesmo eu...

Lágrimas de Diamante

As minhas lágrimas são especiais.
Cristalizam e tornam-se diamantes
Até que caem na minha alma e a enriquecem.
Mas nunca são vistas, pois quem vê na escuridão?
As minhas lágrimas nascem da sua solidão
E vivem lá sempre, sozinhas.

São inocentes diamantes que queimam
Queimam tudo à sua volta, até eles mesmos
Têm o poder e a força de chamas de paixão
Aquelas que incendeiam corações com amor
E deixam apenas um rasto de destruição.
Mostram assim a dureza do meu pranto.

Há muito tempo que fizeram uma corrente
Tão brilhante e apaixonante como o luar
Mas tão frágil e delicada na escuridão
Que não consegue brilhar para lá das suas garras.
As minhas lágrimas cristalizadas que brilham em vão
Tão sozinhas nas sombras da minha alma.

Sem titulo

A tua língua ardente
Percorrendo a minha pele nua
O fantasma da tua respiração
Arrepiando-me, excitando-me
Parando o meu coração.
Os teus leves beijos
Queimando-me, dilacerando-me...
E aquelas doces palavras
Murmuradas na escuridão,
De devaneios macabros, facas e sangue.
Dois corpos despidos
Encontrando-se e amando-se
Num ritual orgiástico.
Arquejos, suspiros
Por meio de sofredores gemidos.
Lágrimas de dor e amor.
O nosso modo proibido e sedutor
De amar na vida
A nossa doce e secreta morte.

O Pecado

Sempre que vagueio apática por estas ruas frias e hostis
Pobremente iluminadas por velhos e acabados candeeiros,
Apoios para prostitutas velhas e cansadas e criaturas bêbedas,
O nevoeiro de noites invernosas atrai as lágrimas.
Típico das grandes cidades velhas quase inalteradas
As ruas dispõem-se confusas e complicadas
Sujas e imundas de pensamentos e acções.
E deixo-as cair livremente, escondidas na humidade.
Caem por aqueles que se abraçam e tocam na noite
Sempre iludidos que o amor é eterno e forte
E esperançados da sua sobrevivência à Morte.
Mas nunca se tornam um só, nunca se tocam por dentro.
Choro por aqueles que já não sonham ou devaneiam
Pessoas que se perderam nalgum caminho e vivem,
Até ao fim, despertos na realidade, e infelizes
Sem coragem para caminhar resolutamente de encontro
À feroz e agonizante luz de um novo dia.
Choro por todos os habitantes da escuridão
Que têm algo inda mais negro em cada coração,
Porque ninguém lhes diz palavras deleitosas de verdade.
Por isso se escondem nas sombras de ruas frias.
Choro por todos aqueles que tiveram um céu aberto
Mas tão tristes foram que não conseguiram abrir asas e voar.
Choro porque também não consegui fugir para longe do nevoeiro
através do meu céu desimpedido e pertenço a estas ruas.
Mesmo assim...não consigo parar...
De ansiar por um beijo nas minhas noites sempre iguais
Em que me entrego a sonhos e ilusões de amor
E em que sou apenas tocada superficialmente
Como uma esperança quebrada, sem casa nem destino.
Tornei-me alguém que desconheço... tão fria e solitária.
E afasto os meus lábios num grito silencioso,
A dor dentro de mim já não possui voz nem força
E que as lágrimas já gritaram toda a angústia.
Tornei-me igual a todos os caminhantes da noite, espectros doentios,
Com os mesmos anseios, medos e pecados de quimérico amor.
A primeira lágrima foi tão ardente, tão triste e tão frágil
Que se perdeu na humidade duma qualquer noite lúgubre.
As ruas, de piso sempre molhado e traiçoeiro, sempre escuras
Sempre iguais a tantas outras ruas perdidas ou esquecidas,
São ruas silenciosas onde nenhum coração bate ou adora.
Ninguém as ama, ninguém lhes quer pertencer...
Todos os corpos sem vontade, sem alma, as odeiam
Pois seus limites são como correntes nos cadavéricos pulsos
De enfermos de amor, de esperança, de verdade e de liberdade,
Que não existe.
As lágrimas que choramos, ardentes, tão certas como as trevas
Afogam-nos.
Lágrimas nascidas de pecados que nenhum pecado extingue
E que no entanto não deixam de ser excruciantemente belas.
Todas as nossas orações se desfazem e se quebram
E nós quebramos com elas como espelhos atirados às paredes
Sem os braços de alguém amado para apanhar os estilhaços
Sem alguém para apanhar os pedaços de almas despedaçadas.
Na névoa eterna há uma dança sem fim de ódios e destruição
Indagando feroz, quantos destinos temos ainda que aceitar
Quantas mais feridas na eterna noite temos que sofrer.
Nunca terá um fim?
Promessas foram feitas para serem quebradas e com medo
de morrer outra vez fechamos os olhos à realidade.
Caminhamos nas sombras debaixo da neblina
Soltando suspiros de amor mesmo sabendo que é mentira
Aquilo que lutamos por não sentir tão fortemente.
As lágrimas nunca deixarão de rolar pelas nossas faces.
Até ao limite da nossa mortalidade nada mais sentiremos
Que a dor de viver sem sonhar e sem verdadeiros tangidos
De amor.
Os templos que frequentamos não são feitos de ouro e prata,
São sim, feitos de outros sonhos que já ninguém se lembra
De ter sonhado. São feitos de cobardia, um ou outro coração,
Carícias antigas já esquecidas e estrelas outrora brilhantes.
São templos de escuridão, onde se cantam decrépitos lamentos
Por cada espectro negro que inda vive a carpir a sua má sorte.
Em ruas ladeadas por paredes húmidas, cinzentas e velhas,
Há sempre alguém que adormece para lá da esperança de acordar,
E que aceita e abraça a escuridão que afoga sem escrúpulos
E abate resquícios olvidados de vidas passadas de luz e brilho.
Enquanto caminhamos por estas ruas de prostitutas e velhos bêbedos
E choramos toda a amargura de vários corações e aqui perdidos
Tentamos desesperadamente pintar o amor a falar com a tristeza,
A caminhar ao lado dela.
Aquele amor traidor que ama apenas a si próprio e nada mais
E ensandece quem demasiado fraco é para lhe resistir às seduções
E ardis brilhantemente compostos para esmagar corações fatigados.
“Eu amo-te” é uma mentira cruel que parte um Homem em dois.
“Preciso de ti”. Embuste amargo para quem já não consegue sofrer,
quando o Amor e a Morte se abraçam na noite como pano de fundo
e magoam quem não se pode defender e limita-se a sangrar
De corações outrora inflamados com avassaladora paixão.
Quando levamos o Amor e a Morte para o nosso quarto escuro
Enlevados nas suas carícias obscenas não vemos a beleza do Amor
A premir o gatilho da arma apontada à nossa cabeça nem sentimos
As gélidas mãos da Morte a forçar os nossos joelhos para o chão.
As lágrimas que soltamos são murmúrios de cruéis anjos lucífugos
Que ampliam nossos sonos pejados de todos os medos inconscientes,
Que nos visitam e prendem num mundo em tudo igual ao nosso.
Sem luz.
Somos todos o mesmo. Novos, temerosos, lacrimosos. Vazios...
A noite finalmente abre toda a magnificência das suas asas
Como um monstro alado de antigas lendas há muito esquecidas
E envolve todos os espectros que a habitam no silêncio das ruas,
Em sombras mais negras que a sua própria escuridão.
As lágrimas que caem de tantos os olhos começam a arrefecer
Quebram e acabam por desaparecer até a noite nos soltar de novo.
E nós desaparecemos outra vez, com todo o encanto novamente,

Ido com o pecado.

Arcana

Sinto-me desaparecer
Não sou fumo, nem luz nem sombra,
Não sou pensamento ou ideia
Não sou real, imaginação ou sonho.
Sou apenas eu, mais um eu
Que desaparece no ar.
Faço companhia às memórias esquecidas,
Somos irmãs, olvidadas, proibidas
de amar.
Dançamos ao ritmo do vento
Ou até ao ritmo dos nossos soluços.
Brilhamos tanto e tão em vão!
E desaparecemos, esmorecemos, apagamos
Somos as ninguém, princesas esquecidas
Já não somos nada, nem real ou imaginário
Desaparecemos no ar como suspiros
Dos lábios de quem é amado.
Não somos fumo, não somos nada!
(Que somos nós!?)
Somos algo de alguém, talvez,
De alguém como nós, ou então
Somos de ninguém, somos peregrinas
Num mundo cheio de murmúrios
De inveja de amar...
Somos tristes princesas cansadas de esperar
Para sermos algo, alguém, alguma coisa
E que possamos, enfim, amar!

Broken Doll

Danço numa sala de espelhos
Luminosa, ampla, com tecto de diáfano cristal;
Danço despida de incertezas e medos:
Quebrei as invísiveis cordas
Que me prendiam à mesma coreografia.

Danço agora sozinha, um bailado nunca antes visto.
Invento, reinvento, revoluciono sonhos
De passo em passo, de volta em volta.
E a minha perfeição, os meus delicados gestos
Fazem chover sangue nos olhos dos culpados.

Nesta deslumbrante sala de reflexos
Crio a confusão e a destruição de orgulhosas fantasias
Com suaves olhares de inocência intocada;
Semeio dúvidas nos corações dos fracos.
Quebro utopias e quimeras e cruéis mentiras.

Os senhores que há muito tempo sorriam na sua falsidade
Que faziam outros chorar de dor, de amargura
São os que agora derramam incontáveis lágrimas
Ao verem a minha hipnotizante dança.
Pois eu sou o carrasco dos carrascos fragilizados pela pureza.

E continuo a dançar, a dançar por entre os espelhos
Enquanto a luz do dia se esvai e a escuridão cresce
E se impõe onde horas antes era repudiada.
Alimenta-se da destruição aleatóriamente espalhada
E livremente, despreocupadamente sacrificada.

E as sombras crescem e saem dos seus abrigos.
Insaciáveis e grosseiras devoram o sangue perdido,
Aquela essência vermelha, agora velha e seca.
E devoram-se mutuamente, perdem-se em canibalismos
Na ânsia de voltarem a fazer parte de mim.

Vivo num labirinto místico envolto em bruma.
Noite após noite tento encontrar o caminho
Para fora deste mundo velho e apodrecido
Assolado de medos intoxicantes como venenos.
(Um caminho de mim escondido...)

O mistério do tempo encontra-se perdido
Nas nuvens negras de desejos passados
E em palavras cantadas por anjos gélidos
De asas com sangue impregnadas.
(Palavras tão temidas como os que as proferem...)

As estrelas brilham efémeras na noite
E reflectem-se em espelhos antigos:
Visionários de afectos dispersos
por sorrisos tristes de amor sem esperança.
(E lágrimas evaporadas por chamas de crueldade)

Mesmo neste labirinto a paixão dói e queima
Sempre que procura pela sua eternidade
Num sonho hostil, em que a lua amaldiçoa
Meus lábios até que um desejo se revele.
(Quem se revelará a mim?)

Até mesmo o passado foi amado por dois,
E deixada de lado a beleza do que foi
Poderei pisar o caminho para o amanhã
Em direcção a uma outra noite.
(Uma nova, diferente noite...)

Mas porque a lua lançou o seu feitiço
A minha existência é apagada e esquecida
Como a bruma e o tempo foram perdidos
Longe da força e do poder do amor.
(O meu corpo, o meu coração, a minha alma...)

Vivo num labirinto místico envolto em bruma.
Noite após noite tento encontrar o caminho
Para longe do controlo das mentiras murmuradas
Por quem as manipula com mestria.
(Que mentiras cruéis essas...)

Caem das asas de uma borboleta como lágrimas
Brilhantes e poderosas mentiras na escuridão.
Até o limite da tristeza e da solidão
Nunca poderei ser una com o meu destino.
(Mesmo que perca a respiração)

Quando for tocada no interior, não haverá bondade
Nem gentileza, porque já não sonho
E de encontro com a bruma do labirinto
Recomeço a caminhar com a dor.
(Por favor une-nos...)

Nenhum desejo para mim se mostra
As verdadeiras palavras estão onde
O verdadeiro mundo se encontra.
Escondo-me na sombra da minha noite silenciosa.
(Mesmo agora...)

24 de maio de 2009

As contas de diamante, pérola e cristal caem e deslizam: são lágrimas silenciadas por força do hábito, apenas. Contas que dizem o dia-a-dia de uma mente perturbada o suficiente para conseguir sobreviver numa floresta de leis feitas para serem quebradas e para quebrar quem as cumpre. Mas o dia de hoje é todos os dias e permanece na memória.

"Estás bem? Estás bem? Estás bem? Estás bem? Estás bem? Estás bem? Estás bem?"
Palavras sem sentido, expelidas com o auxilio de línguas bifídas ecoam numa sala fechada e pairam lá, momentos apenas, até um vento de escárnio e desprezo abrir as sacadas purificando as quatro paredes.

"Sim, claro. Sim, claro. Sim, claro. Sim, claro. Sim, claro. Sim, claro. Sim, claro."
Mais coisas nojentas a juntar no dicionário das palavras de significado nulo! Mais para o vento levar e deixar a água limpar os restos de excrementos deixados para trás.

O que sentir? O que pensar?
Se pensar imita a dor do sentir e sentir é o original da dor de pensar, que mais podemos fazer?
Movimentos mecânicos, feitos para alguém desconhecido, não para nós...Nós que o merecemos mais. Este tempo curto e no entanto tão longo que nem sabemos o que fazer com ele e desperdiçamo-lo, filhos de ninguém e ingratos, que deitamos fora as coisas mais importantes para logo depois, logo depois percebermos que afinal era importante. E ficamos a chorar, por dentro, por fora, num ombro, numa cama, num copo, numa arma, choramos porque pusemos no lixo algo que amávamos e que não tem retorno.

Então a solidão bate no peito...e sussurramos o nome...mas não vem. Nem responde.
Porque se não existimos, porque há-de algo vir em nosso auxílio? Somos meras explorações de beleza e decadência, uma luz quebrada jorrando a sua incandescência pelo chão ao som de violinos e vozes femininas prometendo lembrar-se: de sussurros, de mãos dadas, de nomes sussurrados. Outra vez o nome...e a solidão esmurrando o peito. Um milhão de vezes.
Mesmo debaixo de arcadas e pórticos de amor e amizade.

Segredos afloram à mente com as suas raízes envelhecidas e retorcidas mergulhadas num céu escuro. Um segredo não bem compreendido cujo tronco é tão largo que tapa a visão do que à frente acontece. Poderá acontecer. Não deixa visionar...e cai uma cascata de rubras rosas. Lembram-me lábios ardentes de beijos do nome. Violinos de novo. E rosas. Perfeitas. Tão longínquas. Tão desfocadas. Tão irreais.
Escondem o que vem depois do segredo que tanto quero guardar.

Há um sonho a vaguear. Ainda. Como tantos outros vai voar para longe. Longe, muito longe. Como tantos outros vai desmoronar o meu castelo pedra por pedra, até nada restar nem ele próprio. E reconstruo tudo de novo e abrigo novos sonhos porque me finjo forte e corajosa e poderosa. Mas não sou nada disso, não sou. Eu sou...O que sou?
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Nada.


~Pode parecer um poema, mas não é. É a minha fraca tentativa de organizar os meus pensamentos. Fraca pois nem eu entendo o porquê de algumas coisas que escrevi. Por isso acho que dá para imaginar a confusão que vai pela minha cabeça~