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16 de junho de 2009

Sou um espirito de cabelos negros
Que o luar decora suavemente
Calo tudo o que o meu coração sente
E escondo os meus pensamentos
No quase negrume desta noite fria
Em que recordo tudo o que antes havia
Fora de meu corpo imaterial
E que se deixou cair no mal
Cantado pelas trevas fugidias
Que passeavam por esta floresta
E tornavam meus alegres dias
Num lenta e assustadora festa
De definhadas flores voando sozinhas;

Brancas soltavam a primeira pétala
E já negras mostravam seu coração
Morto, e com a alma emurchecida
Mesclavam-se com a escuridão
Que inda nos abraça, cinge nos seus dedos
De sombras frias tão vivas como minha mente
E de longe mais fortes que meus medos
Onde me mostra tudo aquilo que sente.

Cobri uma vez o meu céu nocturno
Com um tesouro de lágrimas brilhantes:
Pequenas pérolas e pequenos diamantes
Para embelezar aquele monótono mundo
Onde imaginava ilusões e pintava sonhos
Que bailavam nos meus olhos de cristal
E tentavam meus lábios imaculados.
Sonhos que me mostram debilmente o real
No agora violento desta dança
No baile de rosas e orquídeas finadas
Levadas pelo vento da esperança
Que depois as abandonou osculadas;

Tinha desejos de amantes em meus olhos disfarçados
Aqueles que encontrei à noite num baile secreto
Quando nós dois, pela primeira vez dançámos
E com sorrisos tímidos meu coração deixei aberto
Para que lá dentro olhasses e bem no fundo
Visses o amor que tinha do tamanho do mundo...
Amor que arrebataste com um sorriso egoísta e cruel
Depois de me beijares com teus lábios amargos de fel.
Aparição me tornei depois de teu veneno beber
E ainda agora meu peito com amor sinto a ferver
Pela tua miserável existência, mas agora protegido,
Fechado entre os mantos de escuridão do meu jazigo.
Há muito que deixei de contar os eternos segundos
Desde que tantos sentimentos foram desmoronados:
Um castelo de areia repetidamente pelo mar beijado
Por lábios como aqueles que me haviam magoado.

A lua brinca com a sua luz na minha pele
Solidária com a minha dor e meu canto
Que se transformou em silencioso pranto
Pois já não possui a doçura do mel;
As sombras dançam à minha volta, sem dono
E evocam os ecos dos meus suspiros
De magoados sentimentos não declarados
Ansiosos por receberem a dádiva do sono
Sem sonhos. Afundar num mar de negrume
Taciturno onde se banha a Morte
E encher o cemitério com o perfume
Do meu corpo finalmente torpe.


© of Carla Ramos

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