Torcem-se e retorcem-se num dia de Verão
Dentro de corpos carbonizados e cor de carvão
As raízes do pecado que esmagam em vão
Os corpos carbonizados jazendo no chão.
Cadáveres putrefactos espalhados por todos os lados
São nefastos pensamentos pela espada tombados,
Sina maldita dos que morrem acorrentados
E pela enxurrada da vida acabam sendo levados.
Tinham sonhos, força, esperança e vida
Tinham a pujança e o frescor da Primavera
Antes de provarem uma vida demais sofrida
Antes de no chão jazerem por falta dela.
Corpos assim maltratados e por aí largados
A agonizar a quente paisagem de Verão;
Articulados bonecos de pensamentos mal-amados
Que indiscriminadamente dormem no chão,
Por falta de quem lhes pegue e de lá os leve
Sem nojo da sua podre condição e sem repugnância,
Que da paisagem queimada com cuidado os arrede
sem demonstrar toda a sua insensível ânsia
De apagar e esquecer aquela visão dantesca
Que num quadro de Verão ousou aparecer
E pintar de novo uma versão pitoresca
E do passado carbonizado escarnecer.


