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17 de abril de 2011

Verão Pitoresco

(Image by Pirifool - pirifool.deviantart.com)


Torcem-se e retorcem-se num dia de Verão

Dentro de corpos carbonizados e cor de carvão

As raízes do pecado que esmagam em vão

Os corpos carbonizados jazendo no chão.


Cadáveres putrefactos espalhados por todos os lados

São nefastos pensamentos pela espada tombados,

Sina maldita dos que morrem acorrentados

E pela enxurrada da vida acabam sendo levados.


Tinham sonhos, força, esperança e vida

Tinham a pujança e o frescor da Primavera

Antes de provarem uma vida demais sofrida

Antes de no chão jazerem por falta dela.


Corpos assim maltratados e por aí largados

A agonizar a quente paisagem de Verão;

Articulados bonecos de pensamentos mal-amados

Que indiscriminadamente dormem no chão,


Por falta de quem lhes pegue e de lá os leve

Sem nojo da sua podre condição e sem repugnância,

Que da paisagem queimada com cuidado os arrede

sem demonstrar toda a sua insensível ânsia


De apagar e esquecer aquela visão dantesca

Que num quadro de Verão ousou aparecer

E pintar de novo uma versão pitoresca

E do passado carbonizado escarnecer.

16 de abril de 2011

Sonho II


Um rio de fogo havia num qualquer dia

A andar dentro de mim e a lavar.

Lavava teias na minha cabeça de areia e

Lavava o pó na minha língua mortiça;

E incendiava as palavras podres que brotavam da vontade

Silenciosa de queimar sentimentos e corpos,

Numa loucura apaixonada de me matar.


Das cortinas dos meus olhos teci um sonho bege,

Com as veias a servir de linha enfiadas na minha alma,

Costurei de noite e dancei de dia com meu corpo inda a sangrar,

Costurei sem me aperceber do sangue ainda fresco,

Costurei e manchei o sonho que sonhava usar.


Enervei-me!

Atirei o sonho para lá de mim e do horizonte.

Gritei!

Lançei as mãos ao ar e cairam

numa poça de lama funda como fundo achava o meu olhar.

Praguejei!

E abanei a cabeça e senti-a tombar aos meus pés.


Esperei então que também meu corpo caísse

E partisse de encontro com a água que pingava,

Mas ele dançou e não mais parou e foi a dançar

Ter com o sonho que teimava em não parar

De voar e sonhar ensanguentado pela alma que o tecera.