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2 de março de 2011

Femme-fatale

Na rua escura caminha desnuda

A mulher infame, femme-fatale:

Velha mascarada de nova

Que nem com tanta tinta na cara

Se afasta muito da cova.

Caminha com andar bamboleante

Aos trausentes pisca o olho, prazenteira

À cata de incauto homem

Que a leve para esteira

E em troca lhe dê uns trocos.

Na esplanada senta-se de perna traçada,

De decote descido e saia arregaçada.

Puxa do cigarro, puxa do isqueiro.

Só não puxa da carteira,

Porque nela não há dinheiro.

Em becos escuros faz o seu trabalho

De velha e caquética rameira,

Mas o negócio parece fraco

Pelo que se vê na carteira.

(“É a crise!” diz ela.

Resta saber se a geral

Ou só a dela).

Bem estranhavam as pessoas

Do seu andar tão normal.

Até já se alcovitava que

O negócio ia mal,

Que gastava mais do que ganhava

Que já comia mais a boca de cima

Do que a que se tem em baixo.

A concorrência aumentava,

O dinheiro dimínuia,

Sinal que já nem entrava

Aquilo que ela mais queria.

E então que faria ela

com seu corpo tão quebrado?

Porque entendia que era muito nova

Para pensar em reforma antecipada.

E então pudera!

Se o cálice estava seco, se a fonte não tinha água.

A idade não perdoa,

Nem a má-vida que levava.