Rosas brancas vão manchar de vermelho
A pretidão da neve sobre as suas coroas
De latão enferrujado e seixos do fundo do céu:
Rosas pálidas de raízes ensanguentadas
Do sangue dos pássaros comidos pela terra.
A lua escurece a luz do seu dia e murcha
As rosas negras que adornam a neve rubra e pastosa
Exaurida de coroas de oiro entrançado do cabelo
De virgens saudosas de sonhar o sonho do mar.
Mar de aranhas cor de arco-íris tecendo
Mantos de pérolas e prata choradas da lua;
Ah! Uma deusa semi-nua, meio mulher, meio nada
Feita de fumo e sombra e lata!
Coisa sem valor, de renda preta e meias de ligas
Veste o intrior da cabeça e bebe a noite
Num cálice de vómito das entranhas da montanha:
Olhos de céu sem noite e fogo de paixão.
Mulher-corvo, de asas pintadas de velhice
No sono tenebroso das lânguidas árvores
Que gemem folhas laranjas de sol.
Mulher-corvo que olhas rosas brancas
Descoroadas de latão num jardim de neve vermelha
E seixos do fundo do céu.
A pretidão da neve sobre as coroas
De latão enferrujado e seixos do abismo do céu
De rosas brancas caídos manchando de vermelho aquela pretidão.
Comidos pela terra pássaros embebedam raízes
De pálidas rosas com o seu sangue.
Mulher endeusada, meio tudo, meio nada!
Choras no voo da folha e da pétala o vinho tinto do Douro
Do ouro das tuas veias! Dos teus olhos! Dos teus lábios!
Mulher-menina rainha de flores sangrentas, chorosa desencantas
Para as coroas e tiaras caídas no teu nada sombrio e cintilante!
Teu jardim podre de escuridão. Tempo sem tempo, que tudo arrasa
Destrói e mata!
Mulher endeusada! Tu és tudo, és tudo, tudo! E nunca foste nada!
Vazio! Cheio de nada...
© of Carla Ramos
16 de junho de 2009
Publicada por Carla Ramos à(s) 6/16/2009
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