Quem são aquelas raparigas
Que por ali vão tristes e agrilhoadas?
Palmilham descalças aquele chão frio
E vão silenciosas e cabisbaixas.
Brilham lágrimas nas suas faces
A única coisa que cintila entre elas;
Tudo o resto é roubado pela melancolia
Do sítio onde passam e das suas almas.
Vão vestidas de negro e sem adornos
Qual cortejo fúnebre de damas esquecidas
Mas quem parece olvidado são aquelas
Belas e jovens, aquelas doze amigas.
As sombras dançam e cantam à volta delas
Sobre mágoas antigas de tempos áureos
E suspiros de amores nunca declarados;
Para sempre adormecidos, para sempre calados.
Vão elas calmas e senhoras de si
Embora enfrentem visões de morte.
Vão com a música dos seus Fados
E cada uma com seu beijo de solidão.
O silêncio que todas têm que carregar
Inflama-lhes o peito e queima-lhes o coração.
Aquelas doze raparigas vão com a dor
Para tão perto - quase dentro - da escuridão...
As pérolas que rolam por suas faces,
Únicas no seu doloroso Destino
Espelham os seus desejos escondidos
E os seus sonhos de donzela destruídos.
São princesas apenas na noite
Porque só na noite as deixam ser
Damas de companhia da Morte
Até chegar o novo amanhecer.
Cantam para as almas que vagueiam
Cegas e desprendidas por todo o lado
No jardim de flores já definhadas
Ao som de uma canção de tormento.
Deixam cair pétalas para o chão
E lançam perfumes inebriantes
Que se mesclam com os sonhos
Que elas todas as noites sonham.
O para sempre encantado acabou
Quando as princesas adormeceram
Para em vida não mais acordarem...
......Para não mais morrerem......
© of Carla Ramos
16 de junho de 2009
Publicada por Carla Ramos à(s) 6/16/2009
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