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16 de junho de 2009

Quem são aquelas raparigas
Que por ali vão tristes e agrilhoadas?
Palmilham descalças aquele chão frio
E vão silenciosas e cabisbaixas.

Brilham lágrimas nas suas faces
A única coisa que cintila entre elas;
Tudo o resto é roubado pela melancolia
Do sítio onde passam e das suas almas.

Vão vestidas de negro e sem adornos
Qual cortejo fúnebre de damas esquecidas
Mas quem parece olvidado são aquelas
Belas e jovens, aquelas doze amigas.

As sombras dançam e cantam à volta delas
Sobre mágoas antigas de tempos áureos
E suspiros de amores nunca declarados;
Para sempre adormecidos, para sempre calados.

Vão elas calmas e senhoras de si
Embora enfrentem visões de morte.
Vão com a música dos seus Fados
E cada uma com seu beijo de solidão.

O silêncio que todas têm que carregar
Inflama-lhes o peito e queima-lhes o coração.
Aquelas doze raparigas vão com a dor
Para tão perto - quase dentro - da escuridão...

As pérolas que rolam por suas faces,
Únicas no seu doloroso Destino
Espelham os seus desejos escondidos
E os seus sonhos de donzela destruídos.

São princesas apenas na noite
Porque só na noite as deixam ser
Damas de companhia da Morte
Até chegar o novo amanhecer.

Cantam para as almas que vagueiam
Cegas e desprendidas por todo o lado
No jardim de flores já definhadas
Ao som de uma canção de tormento.

Deixam cair pétalas para o chão
E lançam perfumes inebriantes
Que se mesclam com os sonhos
Que elas todas as noites sonham.

O para sempre encantado acabou
Quando as princesas adormeceram
Para em vida não mais acordarem...
......Para não mais morrerem......


© of Carla Ramos

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