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2 de julho de 2009

A minha voz esvai-se como a cor do vento
Por entre os dedos para um mundo de silêncio intocável
E de céu de prata.

Sabes criar risos com lágrimas falsas?

Comédia e tragédia estão demasiado perto
e cai na solidão o dia brando daquele passado desconhecido
esvoaçante como os teus cabelos.

O teu corpo é uma duna, mutável e seca,
Perdido o rio de flores que cantaste para a Primavera.

Deste-me o teu sopro de fogo e a tua vontade.
E eu quedei num espaço vazio demasiadamente perto de ti:
Noite fria e opaca, voo de pássaro num qualquer fim.

Ao longe estão a cair notas musicais com cheiro a sangue, morangos, a ti e a mim
E o seu perfume afunda-se no mar celeste e profundo:
Abismo insondável de mistério.

O vento é brisa que afaga os meus membros
Sussurrando os seus segredos no seu caminho
De peso em busca do limite da imaginação.
Ganha cor, peso e forma, ganhando ao silêncio o seu lugar
Nas almas da treva e no teu corpo de feiticeira.

Ergues-te, ensandecida, farta da tua pele de areia
E sacodes o manto da sonolência que te envolvia; caminhas então, para o futuro
Que vês mas não desejas e chamas um nome
Que não pode ser dito porque já foi esquecido: pecado, fatalidade,
Desgraça, saudade.

E juntas a tua voz à minha, transformando as palavras em pétalas dançando por este mundo,
Sem sítio onde pousar nem lábios para beijar.


© of Carla Ramos

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