Danço numa sala de espelhos
Luminosa, ampla, com tecto de diáfano cristal;
Danço despida de incertezas e medos:
Quebrei as invísiveis cordas
Que me prendiam à mesma coreografia.
Danço agora sozinha, um bailado nunca antes visto.
Invento, reinvento, revoluciono sonhos
De passo em passo, de volta em volta.
E a minha perfeição, os meus delicados gestos
Fazem chover sangue nos olhos dos culpados.
Nesta deslumbrante sala de reflexos
Crio a confusão e a destruição de orgulhosas fantasias
Com suaves olhares de inocência intocada;
Semeio dúvidas nos corações dos fracos.
Quebro utopias e quimeras e cruéis mentiras.
Os senhores que há muito tempo sorriam na sua falsidade
Que faziam outros chorar de dor, de amargura
São os que agora derramam incontáveis lágrimas
Ao verem a minha hipnotizante dança.
Pois eu sou o carrasco dos carrascos fragilizados pela pureza.
E continuo a dançar, a dançar por entre os espelhos
Enquanto a luz do dia se esvai e a escuridão cresce
E se impõe onde horas antes era repudiada.
Alimenta-se da destruição aleatóriamente espalhada
E livremente, despreocupadamente sacrificada.
E as sombras crescem e saem dos seus abrigos.
Insaciáveis e grosseiras devoram o sangue perdido,
Aquela essência vermelha, agora velha e seca.
E devoram-se mutuamente, perdem-se em canibalismos
Na ânsia de voltarem a fazer parte de mim.
16 de junho de 2009
Broken Doll
Publicada por Carla Ramos à(s) 6/16/2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

0 comentários:
Enviar um comentário