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8 de julho de 2009

Dai-me uma laranja tingida de céu
Com sumo branco como espuma do mar
Levá-la-ei ao ventre da terra para a assar
E ta oferecerei envenenada pelo luar.

E quando receber uma coroa de papel
Elevar-me-ei aos céus e sentar-me-ei na lua
Apanharei as estrelas cadentes da cor do arco-da-velha
Para as comer e brilhar de muitas cores:
Aurora boreal amestrada, banhando o mundo.


© of Carla Ramos

Porque te esqueceste do amor
Que ouvias nas minhas lágrimas
E vias nas minhas palavras?

Viajo à lua e lá me deixo a pairar
Vendo as estrelas pelo caminho
E o negro fundo do mar
Procurando no abismo o sentido
De te continuar a amar.

Sonho em silêncio dentro de mim
Os teus lábios expulsando doces sussurros
Sem compreender que o que vejo se chama fim
Uma cruel ilusão de inesistentes futuros.

Oiço ainda o amor murchar
E sinto o meu peito a definhar
Como uma rosa abandonada no Inverno
À mercê dum carcere eterno.

© of Carla Ramos

Sem Título

Sei de céus verdes de inveja,
De planícies brancas como folha de papel
E de gestos tingidos de sangue
Com gargantas roucas de escuriddão e brilho.

Sei dos teus dedos de pianista; que com eles
Tocas o céu, o mar e o segredo.
Conheço as palavras que voam dos teus lábios,
Se entrançam na tua noite e afagam
As estrelas caídas pelas planícies.

E eu sei de tudo isto,
sentada na minha lua de faz-de-conta
brincando com areia de prata
e no joelho uma coroa de lata.

© of Carla Ramos

2 de julho de 2009

Crenças

Como já algumas pessoas me perguntaram em que é que acredito e eu sou muito preguiçosa para estar sempre a escrever/dizer deixo este post aqui e depois basta-me dizer para irem visitar este blog.

Então, minha gente, passo a explicar:

Não acredito em nenhuma divindade, seja o deus católico ou deuses pagãos, não acredito em anjos ou demónios. Simplesmente porque não tenho nenhuma prova concreta que me faça acreditar.
Então aqui está a dualidade deste tema: também não tenho provas de que não existam. Pois.
Fico então numa área cinzenta. Não acredito na existência de deuses, mas acredito que talvez existam, não descarto e rejeito completamente essa hipótese, podendo então afirmar que sou agnóstica.


O que, para quem ainda tem dúvidas, significa e comprova que não sou Satânica.
No Satanismo nega-se completa e veemente a existência de divindades coisa que eu não faço. Ora aí está.

Mais. Crucifixos que eu possa usar ou outras imagens e iconografias relacionadas com religiões é apenas por motivos estéticos. Não acredito no seu significado ou no que representam.
Tenho curiosidade e procuro saber sempre o minímo sobre várias religiões a fim de saciar a minha sede de conhecimento e também saber o que digo durante discussões/conversas. (Fazer figura de parva não está nos meus planos).

E creio que é tudo.

A minha voz esvai-se como a cor do vento
Por entre os dedos para um mundo de silêncio intocável
E de céu de prata.

Sabes criar risos com lágrimas falsas?

Comédia e tragédia estão demasiado perto
e cai na solidão o dia brando daquele passado desconhecido
esvoaçante como os teus cabelos.

O teu corpo é uma duna, mutável e seca,
Perdido o rio de flores que cantaste para a Primavera.

Deste-me o teu sopro de fogo e a tua vontade.
E eu quedei num espaço vazio demasiadamente perto de ti:
Noite fria e opaca, voo de pássaro num qualquer fim.

Ao longe estão a cair notas musicais com cheiro a sangue, morangos, a ti e a mim
E o seu perfume afunda-se no mar celeste e profundo:
Abismo insondável de mistério.

O vento é brisa que afaga os meus membros
Sussurrando os seus segredos no seu caminho
De peso em busca do limite da imaginação.
Ganha cor, peso e forma, ganhando ao silêncio o seu lugar
Nas almas da treva e no teu corpo de feiticeira.

Ergues-te, ensandecida, farta da tua pele de areia
E sacodes o manto da sonolência que te envolvia; caminhas então, para o futuro
Que vês mas não desejas e chamas um nome
Que não pode ser dito porque já foi esquecido: pecado, fatalidade,
Desgraça, saudade.

E juntas a tua voz à minha, transformando as palavras em pétalas dançando por este mundo,
Sem sítio onde pousar nem lábios para beijar.


© of Carla Ramos

Love

Being able to dream is most forgivable
For it is only in dreams where we now meet
Although our encounters have so much sorrow
Love, at rest and silent, belongs to our hearts.

When we meet under dark skies and crimson clouds
The many kisses that we exchange fly on their own
To here, everywhere, but never to their destinies:
They’re forever sealed.

In our eyes there’s still the same Passion of old
Still enduring secret desires to extinguish it.
But non the less we have tears in our faces
and Despair lives in our mortal souls.

Foolishly maybe, but yet so passionately
We fight our way to everlasting love
So we can walk again, hand by hand
Forever deeply trapped in blue illusion.

But, oh! Why did Death placed Her gaze upon us?
Why did She saw you, only you, and no one else?
She came with ebon wings and foul creatures followed
To take you cruelessly from my affectionate side.

My Beloved lights washed away in Her Night
Leaving my eyes sightless and my soul crushing
While I hear a pitiless laughter rising from nowhere
and receive snow-like kisses: soft, cold and cruel.

But who’s to blame in this tragic tale?
A Beast that fell in love with Love, or
A Loves beauty that seduces the Beast?
…I’m the one crying alone in a dim mortality…

Losing the destiny of our Passion attracts the Agony
Of living without wanting to, of breathing the fires of Pain.
My Love, can you feel me going down in the depths
Of Sorrow like only a creature of mortal birth can go?

With my arms riddled with scars and open wounds
Not wanting to lose some little, resistant, Hope
I keep searching in my mysterious humanity
For the beauty of my never-ending Love.

Holding tight to piercing memories
Death took away all that was dear
And left me bleeding in the Night
Of my worthless soul buried in Ache.

I just wish for a kiss from my Love
A venomous kiss that would revive me
With fiery and fearsome pain from
This lonelisome, mortal apathy.

But where’s my Love now, wrapped
In some deadly desire in dark lands,
Surrounded by dark necrophilic lusts
Lying in silk veils of Death’s slaves?

I love my undying Love and I love His tears
I just don’t love when He lives in His fears.
My Darling, I’m completely torn apart
devoided of the Beauty of our love.
Eternally yearning for the scarlet kisses
Of my Loves scarlet, passionate lips
Searching, calling for something more in vain
I die a thousand times with my pain.

Shining bright showing His vanity
In the sinister side of the moon
My Love sings my lullaby song
In whispers of love born yesterday.

Forever ensnared in dark Eternity
We are separated by Imortality
Crying for the mysterious mist
Of lovers embraces and final caresses.

Divided until the day Eternity and Mortality
Encounter each other again in the End
When Life and Death returns to Nothing
And the Night wraps this world in the Void.

You were the only one I could ever love
And the only one I wanted to say that I love
But the simple word “Love” itself
Already died and went away with you.


© of Carla Ramos

17 Invernos

17 Invernos
Frios, escuros
Desesperos eternos
E desejos obscuros.

17 Invernos
De triste solidão
Terríficos medos
No meu coração.

Aguentei 17 Invernos
Sem qualquer amor
Cheia com sentimentos velhos
E negra dor.

Agora vejo um fim
Aliviantes abismos
Só para mim
17 anos volvidos.


© of Carla Ramos