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9 de dezembro de 2010

Sonhos

Voo ao sabor do húmido vento até ao infinito

do olhar salgado com a cor do oceano.

São brancas, minhas asas,

E verdes, azuladas, amarelas, prateadas...

São de luz e escuridão, são asas de fumo

E asas de água.

São asas e não o são.

São sonhos que me ajudam a planar

Por cima desta vastidão sonolenta de amor,

Por cima do oceano, meu oceano da cor da noite.

O mundo dá voltas e voltas conforme o meu voar,

Ora é mundo direito, ora mundo às avessas;

O céu é mar e o oceano é noite estrelada.

E as minhas asas encolhem e esticam

Batem incassáveis e imparáveis através do Tempo

Que tudo come menos os sonhos que me fazem voar.

19 de fevereiro de 2010

As Varinas


Olham das varandas as meninas
para a rua de gente, para o paço.
Prendem seus cabelos num laço
e ouvem as apregoações das varinas
que vendem seu peixe reluzente
e quem por elas passa sente
o cheiro salgado da maresia
e os sons altos de alegria.
Do largo mar vêm as traineiras
e nelas homens rudes e sem maneiras;
As mãos calejadas, a pele bronzeada,
pela maresia e pelo sol tisnada.
E quando o mar se alevanta e agita
e nuvens negras o céu escurece
a alma das varinas grita
temendo pela vida que no mar perece.
No areal esperam, de coração na mão.
A Deus oram, muitas vezes em vão,
pelos homens que no mar temem
o Destino do que já lá morreram.

10 de fevereiro de 2010

Cai do meu peito a macilenta solidão.
O feérico tecido do teu corpo
Mescla-se com a paisagem infinita
E afasta as estrelas do meu olhar para a tua figura de mulher.
Os teus lábios estão pintados de escarlate,
Rubros como a maçã que ontem comeste
E osculam o céu cinzento e opaco.
Porque eu conheço-te e tu não, choro.
No teu baixo-ventre há um jardim de pecados
E eu amo, pecadora até ao âmago,
As flores vermelhas como a maçã que ontem comeste
E como os lábios que beijam o céu
Que não é meu. Que não é Eu.

Ah, pedaços do mundo...

Chove na paisagem infinitamente feérica
E eu ergo a minha mão imaginária
E apago as lágrimas por detrás do meu véu.
Não chove mais.
A noite cai do meu colo e cobre a tua cabeça
Tornando-se unas.
O teu cabelo torna-se noite.
O teu corpo é já a paisagem que criei para ti
E assim te esvais da visão do mundo
E eu quedo sendo eu, num mundo em pedaços;
Nunca fui o céu que beijaste.
Cuidadosamente, guardo a tua paisagem
De deusa pagã e inantigível
Na minha caixa de sonhos em forma de castelo.

9 de fevereiro de 2010

Cai do meu peito a macilenta solidão
E enlameia teus palmilhantes pés
Nas páginas brancas da minha poesia.
No entanto, e sem espanto, falhas a tua própria criação poética.
O negrume dos teus cabelos percorre o céu;
O seu azul escurece nos teus olhos
E a neve pura esconde-se na escuridão estrelada.
Dois versos fizeram teus seios maduros
E um bastou para beijar o teu vale de amor:
Cálice de oiro e vinho embriagador,
Droga pessoal e feérica, teu olhar me seduz em páginas de negros versos
Numa auto-flagelação de luz.
A tua esbelta figura na paisagem se esbate
Como num quadro de artista maior;
Em palavras te enfeito com a minha paixão
E levanto ventos que espalham teu perfume na imensidão
Do meu quadro poético.