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2 de setembro de 2011

Morfeu


Que sonhos tão maravilhosamente aterradores aqueles que me fazem saltar da cama alagada em suores e com o coração a bater descompassado! Aqueles nos quais voo, mais do que caio, no vazio imenso da minha alma onde se encerram segredos cegos de tanta escuridão que os rodeia. Amo a sensação do nada que me (não) ampara, da não-firmeza que sinto, enquanto estendo os braços e, de olhos fechados ou abertos, (que deles não preciso para voar) plano sob estrelas, sob nuvens, sob chuva ou encoberta pelo nevoeiro. A condição meteorológica não importa. Importa sim o facto de voar, ainda que não materialmente. Só tenho pena do momento em que aterro, seja calma ou atrapalhadamente, e me força a acordar e a enfrentar a macia realidade da minha cama. E sei, quando acordo, que para minha tristeza tal sonho não voltará a invadir a minha mente desenfreada quando nos braços de Morfeu enquanto eu tal desejar, mas sim quando o meu espírito inquieto o menos suspeitar.

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