E se o céu chorasse a lua para os teus olhos?
(pergunto-me silenciosamente, lembrando-te bela).
Já era tempo de parar de esperar
Que o sol igualasse o teu fogo.
O tempo envelheceu-te, meu mar de mel.
Gostas de maçãs?
Deixa a noite.
Estou em casa, sozinha, e a porta,
A porta está aberta para entrares
E o meu peito está aberto para descansares,
De novo,
O vento varre os teus vestidos
E espalha o teu perfume e eu
Arrepio-me e excito-me e amo-me e amo-te
Vezes e vezes sem conta
Relembrando a tua pele.
Não me lembro de ontem, que importa?
Tens flores no teu ventre e eu quero
pousar a cabeça num jardim perfumado.
A minhas mãos anseiam pelo enleio
Das ondas do teu cabelo,
Das curvas do teu corpo.
Ah, meu mar de mel, o tempo envelhece-te
E eu vejo-te sempre bela...
Quero chorar a minha alegria no vale
Que é o teu peito em constante movimento
E ouvir o compassado sinal de vida que em ti habita.
Imagino-te uma maçã para provares
E para teus lábios pintares...
Beija-me depois e deixa-me a chorar
A tua velhice...
Mas não te importes.
Porque o Presente é meu e eu amo-o,
como te amo a ti;
E tu és o Futuro e amas-me,
como eu te amo a ti...


1 comentários:
Sempre enigmática mas está excelente...
Diferente do que costumas apresentar mas com a tua essência sempre presente :)
Continua o bom trabalho e apresenta sempre boa poesia !
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