Torcem-se e retorcem-se num dia de Verão
Dentro de corpos carbonizados e cor de carvão
As raízes do pecado que esmagam em vão
Os corpos carbonizados jazendo no chão.
Cadáveres putrefactos espalhados por todos os lados
São nefastos pensamentos pela espada tombados,
Sina maldita dos que morrem acorrentados
E pela enxurrada da vida acabam sendo levados.
Tinham sonhos, força, esperança e vida
Tinham a pujança e o frescor da Primavera
Antes de provarem uma vida demais sofrida
Antes de no chão jazerem por falta dela.
Corpos assim maltratados e por aí largados
A agonizar a quente paisagem de Verão;
Articulados bonecos de pensamentos mal-amados
Que indiscriminadamente dormem no chão,
Por falta de quem lhes pegue e de lá os leve
Sem nojo da sua podre condição e sem repugnância,
Que da paisagem queimada com cuidado os arrede
sem demonstrar toda a sua insensível ânsia
De apagar e esquecer aquela visão dantesca
Que num quadro de Verão ousou aparecer
E pintar de novo uma versão pitoresca
E do passado carbonizado escarnecer.


1 comentários:
Meu "deus" este poema está tão a minha cara... eu sei que é teu e nunca conseguiria escrevê-lo como tu escreveste mas está tão aquele gore belo e sublime de que eu tanto gosto... enfim, amei.
E agora pensei "vou comentar alguma coisa em relação ao que o poema me diz e não ao que eu digo sobre ele", mas acho que não é preciso estar aqui com análises filosóficas de cada uma das suas partes a tentar dar uma interpretação que é minha daquilo que é teu, mas que também é meu e de todos os que o lêem de modos tão distintos, por isso fico-me pelo elogio do poema que está, de facto, magnífico.
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