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17 de abril de 2011

Verão Pitoresco

(Image by Pirifool - pirifool.deviantart.com)


Torcem-se e retorcem-se num dia de Verão

Dentro de corpos carbonizados e cor de carvão

As raízes do pecado que esmagam em vão

Os corpos carbonizados jazendo no chão.


Cadáveres putrefactos espalhados por todos os lados

São nefastos pensamentos pela espada tombados,

Sina maldita dos que morrem acorrentados

E pela enxurrada da vida acabam sendo levados.


Tinham sonhos, força, esperança e vida

Tinham a pujança e o frescor da Primavera

Antes de provarem uma vida demais sofrida

Antes de no chão jazerem por falta dela.


Corpos assim maltratados e por aí largados

A agonizar a quente paisagem de Verão;

Articulados bonecos de pensamentos mal-amados

Que indiscriminadamente dormem no chão,


Por falta de quem lhes pegue e de lá os leve

Sem nojo da sua podre condição e sem repugnância,

Que da paisagem queimada com cuidado os arrede

sem demonstrar toda a sua insensível ânsia


De apagar e esquecer aquela visão dantesca

Que num quadro de Verão ousou aparecer

E pintar de novo uma versão pitoresca

E do passado carbonizado escarnecer.

1 comentários:

Krahedame disse...

Meu "deus" este poema está tão a minha cara... eu sei que é teu e nunca conseguiria escrevê-lo como tu escreveste mas está tão aquele gore belo e sublime de que eu tanto gosto... enfim, amei.
E agora pensei "vou comentar alguma coisa em relação ao que o poema me diz e não ao que eu digo sobre ele", mas acho que não é preciso estar aqui com análises filosóficas de cada uma das suas partes a tentar dar uma interpretação que é minha daquilo que é teu, mas que também é meu e de todos os que o lêem de modos tão distintos, por isso fico-me pelo elogio do poema que está, de facto, magnífico.