Um rio de fogo havia num qualquer dia
A andar dentro de mim e a lavar.
Lavava teias na minha cabeça de areia e
Lavava o pó na minha língua mortiça;
E incendiava as palavras podres que brotavam da vontade
Silenciosa de queimar sentimentos e corpos,
Numa loucura apaixonada de me matar.
Das cortinas dos meus olhos teci um sonho bege,
Com as veias a servir de linha enfiadas na minha alma,
Costurei de noite e dancei de dia com meu corpo inda a sangrar,
Costurei sem me aperceber do sangue ainda fresco,
Costurei e manchei o sonho que sonhava usar.
Enervei-me!
Atirei o sonho para lá de mim e do horizonte.
Gritei!
Lançei as mãos ao ar e cairam
numa poça de lama funda como fundo achava o meu olhar.
Praguejei!
E abanei a cabeça e senti-a tombar aos meus pés.
Esperei então que também meu corpo caísse
E partisse de encontro com a água que pingava,
Mas ele dançou e não mais parou e foi a dançar
Ter com o sonho que teimava em não parar
De voar e sonhar ensanguentado pela alma que o tecera.


1 comentários:
Acho que não há muito mais a ser dito... adoro a tua poesia, e como a compreendo, não é preciso ordem lógica ou facilmente entendível porque sentido tem-no de sobra, pelo menos para mim, certamente não o mesmo que tu lhe dás mas é essa a beleza.. enfim... escreve mais que, como já te disse, adoro ler-te... já agora, o novo template também está lindo.
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