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16 de abril de 2011

Sonho II


Um rio de fogo havia num qualquer dia

A andar dentro de mim e a lavar.

Lavava teias na minha cabeça de areia e

Lavava o pó na minha língua mortiça;

E incendiava as palavras podres que brotavam da vontade

Silenciosa de queimar sentimentos e corpos,

Numa loucura apaixonada de me matar.


Das cortinas dos meus olhos teci um sonho bege,

Com as veias a servir de linha enfiadas na minha alma,

Costurei de noite e dancei de dia com meu corpo inda a sangrar,

Costurei sem me aperceber do sangue ainda fresco,

Costurei e manchei o sonho que sonhava usar.


Enervei-me!

Atirei o sonho para lá de mim e do horizonte.

Gritei!

Lançei as mãos ao ar e cairam

numa poça de lama funda como fundo achava o meu olhar.

Praguejei!

E abanei a cabeça e senti-a tombar aos meus pés.


Esperei então que também meu corpo caísse

E partisse de encontro com a água que pingava,

Mas ele dançou e não mais parou e foi a dançar

Ter com o sonho que teimava em não parar

De voar e sonhar ensanguentado pela alma que o tecera.

1 comentários:

Krahedame disse...

Acho que não há muito mais a ser dito... adoro a tua poesia, e como a compreendo, não é preciso ordem lógica ou facilmente entendível porque sentido tem-no de sobra, pelo menos para mim, certamente não o mesmo que tu lhe dás mas é essa a beleza.. enfim... escreve mais que, como já te disse, adoro ler-te... já agora, o novo template também está lindo.