Cai do meu peito a macilenta solidão.
O feérico tecido do teu corpo
Mescla-se com a paisagem infinita
E afasta as estrelas do meu olhar para a tua figura de mulher.
Os teus lábios estão pintados de escarlate,
Rubros como a maçã que ontem comeste
E osculam o céu cinzento e opaco.
Porque eu conheço-te e tu não, choro.
No teu baixo-ventre há um jardim de pecados
E eu amo, pecadora até ao âmago,
As flores vermelhas como a maçã que ontem comeste
E como os lábios que beijam o céu
Que não é meu. Que não é Eu.
Ah, pedaços do mundo...
Chove na paisagem infinitamente feérica
E eu ergo a minha mão imaginária
E apago as lágrimas por detrás do meu véu.
Não chove mais.
A noite cai do meu colo e cobre a tua cabeça
Tornando-se unas.
O teu cabelo torna-se noite.
O teu corpo é já a paisagem que criei para ti
E assim te esvais da visão do mundo
E eu quedo sendo eu, num mundo em pedaços;
Nunca fui o céu que beijaste.
Cuidadosamente, guardo a tua paisagem
De deusa pagã e inantigível
Na minha caixa de sonhos em forma de castelo.
10 de fevereiro de 2010
Publicada por Carla Ramos à(s) 2/10/2010
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1 comentários:
Estou contente.Estás a atingir o ponto de escrita que eu desejava que atingisses: o teu talento está a criar poemas mais claros e abertos, mais agradáveis de ler e tão intensos como as que escrevias sobre a negritude. Trabalha!
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